quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

LISTA AKÁSICA


Estamos virando o ano, neste momento várias coisas nos passam à mente. Questionamentos, dúvidas, angústias, lembranças, idéias, projetos... É o momento de repassar a lista. Rever o que foi feito, o que ficou pendente, o que não pode ser realizado, o que merece reformulação.

É o momento de elencar as ações e rever tudo. Parar refletir ver que aprendizados foram desenvolvidos e checar de pertinho se avançamos ou paramos no tempo. De verificar se fizemos alguém feliz ou se causamos sofrimento a outros alguéms.

É o momento de dizer em alto e bom som valeu à pena! Fiz o meu melhor! Posso seguir adiante e não tenho do de que me envergonhar. É o momento de reconhecer os erros cometidos e refazer a planilha de cálculos pra novas estratégias de ação.

É o momento de encarar os medos e fazer amizade com eles. É o momento de olhar os “inimigos” de frente, olho no olho e dizer obrigada pelo que me ensinou a ser. É o momento de ser compassivo com os incautos e reconhecer que eles são aprendizes sem mestres, portanto erram mais que acertam.

É o momento de presentificar claramente o que insistimos em manter oculto, por desconhecer a forma certa de fazer e ignorarmos a necessidade de pedir ajuda. É o momento de reconhecer que não somos donos de nada. Tão pouco dos saberes que nos impõe.

É o momento de adquirir ritmo, marcante, intenso para cada passo a ser dado no novo projeto. É o momento de dizermos sim às parcerias que possam nos acrescentar e somar às novas iniciativas.

É o momento de ver que os amores perdidos, não voltam mais e que é preciso seguir adiante e viver novos amores. É o momento de deixar as mesquinharias de lado e desenvolver sentimentos nobres como compaixão, respeito, gentileza. É o momento de entendermos que ninguém nos pertence e que o máximo que podemos fazer é sugerir algo aos outros, jamais, obrigá-los.

É hora de revermos o quanto de nossa Caixa de Pandora foi espalhado e destacar toda a esperança possível pra reverter o caos instalado. É hora de domar os demônios e assumir posturas inovadoras e responsivas.

Nossa lista não deve e sim cuidadosamente revisada, ano a ano e de preferência totalmente transformada e que deva ao final se possível, conter mais somas que subtrações. Cada ato registrado deverá conter mais ações solidárias que solitárias.

É o momento de entendermos que o mundo não gira em torno do nosso umbigo, que nosso olhar pra nós deve ser de compreensão de nossas fraquezas e melhoramento de nossas falhas pra servir aos outros. Senão, não serve.

É o momento de percebermos que somos imperfeitos, mas que nada nos impede de domarmos nossa mesquinhez e nossas atitudes tortas, são fruto da ignorância de nossa mente diante da nossa imperfeição humana.

Que a nossa lista seja feita e analisada sabiamente e possa referendar bem o novo ano que já se inicia. FELIZ 2011 PRA TODOS!!!!


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

ENTÃO É NATAL

"Então é Natal... e o que você fez?" O que fizemos pra poder comemorar o advento de um novo ano? Lá vamos nós: confraternizar, comprar presentes, fazer ceia, distribuir sorrisos e tentar acreditar que tudo está bem. Será que está tudo bem mesmo?
Não sei. Acho que estamos mal na fita! Chegamos a mais um Natal e o que produzimos durante o ano? O que plantamos pra colher ao final? Qual foi a qualidade das nossas sementes? A humanidade está em conflito com sua condição, produzimos mais guerras; mais doenças, mais fome, mais miséria, mais dor, mais mortes, mais... desequilíbrio.
No que nos tornamos? Falamos de amor, de respeito, de solidariedade... mas banalizamos o sofrimento, a violência. Falamos... e falamos... e falamos... E agimos tão pouco.
Precisamos acordar pra vida. Estamos dizimando nossa própria espécie, confirmando o que há muito já dizíamos nos livros e filmes de ficção científica. Só que atribuíamos essa situação a seres de outros planetas, uma tentativa talvez de justificar nosso lado cruel, ruim.
Precisamos acordar e nos orientar pra o que estamos propondo pra nós enquanto espécie.
Tem se tornado comum assaltos, mortes violentas, estupros, guerra do tráfico, assassinatos, discrimação, mentira, hipocrisia...
Tem sido tratado com pieguice, bom senso, respeito às diferenças, honestidade, educação, responsabilidade, sensibilidade, amor.
Fico triste! Mais um ano e cá estamos contabilizando muitas e muitas perdas. E nada vamos fazer? Ei ser humano! ACORDE! Pare com tanta miséria! Enxergue seu lado bom. Enfatize-o. Amplie seu coração e desenvolva mais compaixão! Somos seres sencientes. Seres com consciência. Seres pensantes, capazes de fazer inúmeros milagres, inclusive o de se REINVENTAR!


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SÓ UMA PALAVRA ME DEVORA...


É impressionante como certas coisas mexem profundamente com a gente. Pessoas, objetos, atos, música... Não importa quanto tempo passe. Torna-se um carimbo. Uma vez posto fica pra sempre registrado. Marca como ferro em brasa.

Desejo aqui falar de música. Mais uma vez a música. Esse item tem um peso fantástico, capaz de agregar à composição valores, momentos, histórias sentimentos, desejos, sonhos, ideologias... Agrega em si significados que atravessam o tempo e vai gentilmente se adequando ao que se tiver no momento.

Periodicamente vamos recuperando na memória situações destas que funcionam como um ativador de emoções construídas num dado instante e que se confirmam na hora da afirmação do desejo.

Abre-se uma janela nesse itinerário e as lembranças vêm e se reinstalam objetivando uma reforma íntima e sugerindo um desfecho ou uma vivência plena daquilo que ficou para trás e achava-se terminado.

Uma música em especial vem permeando meu universo existencial de forma insistente e contundente – Jura Secreta. Vem ecoando em meus ouvidos num crescendo um tanto quanto perturbador. Onde quanto mais escuto, mais quero escutar.

Perguntava-me todo o tempo o que ela queria me dizer. Qual a mensagem que estava passando. Porque me tocar tão fundo agora? Fui observando o sentimento que se desenhava e vendo a letra e as diversas interpretações já feitas. Além de procurar ver o contexto social do momento.

Busquei analisá-la seguindo as pistas dos signos impressos na melodia; na letra; nas interpretações. Ela chega de início como um lamento, um choro, uma solicitação, um arroubo de um desejo não concretizado.

“Só uma coisa me entristece/o beijo de amor que eu não roubei/a jura secreta que não fiz/a briga de amor que não causei”

Isso me diz que eu e tantas outras pessoas não experienciaram isso. Não viveram esse arroubo de juventude e há uma saudade impressa no ar desse experimento passado em branco nas maneiras de se expressar da juventude tardia.

Num segundo momento entendo como uma confissão de uma dor intensa, de um sentimento desejoso de ser vivido. Mostrado em tanta expressão de insatisfação nas relações, em tanto vazio existencial, em demonstração de incompletude, em tanta busca desenfreada pelo par perfeito, pelo amor ideal. Uma busca e um medo de formar vínculos fortes e duradouros.

“Nada do que posso me alucina/tanto quanto o que eu não fiz/nada do que quero me suprime/do que por não saber ainda não quis”

Denota certa impotência, mas sugere uma busca intensa e profunda. O desafio do não vivido, que muitas vezes nos assombra feito fantasma arrastando correntes nos corredores dos nossos velhos castelos.

Então ao final, a solicitação. O pedido de desfecho de consecução do desejo. A palavra anônima, que devora, que deixa impressa na alma o mistério da busca ontológica de afirmação da existência humana, o amor, o outro.

“Só uma palavra me devora/aquela que meu coração não diz/só o que me cega, o que me faz infeliz/é o brilho do olhar que eu não sofri.”

Há uma necessidade de compartilhar, o desejo de uma alucinação consciente; uma vontade de nos suprir pelo prazer de partilhar. Experienciar o perder o chão, o estremecer das bases e a certeza talvez do retornar do mergulho interno no final. Mas embora desejos disso, sucumbimos ao medo de ser, de se deixar ir, de se permitir sentir... Só uma palavra me devora...



domingo, 3 de outubro de 2010

E O QUARTO ESCURO SE ABRIU...


E o Quarto Escuro se abriu... Se abriu pra receber, pra acolher e acomodar de forma generosa seus visitantes e oferecer a todos muitos sons, acordes...emoções!

E á estávamos nós visitantes intrépidos a nos deixar levar por esse vazio totalmente fértil e se beneficiar das sutis belezas instaladas nas paredes móveis desse Quarto Escuro.

E lá estávamos nós compartilhando em iguais condições os mais nobres e profundos sentimentos que a pura música pode oferecer.

Benditos sejam os sons que embalam nossa alma nesse mergulho profícuo. Bendita seja a harmonia da música gerada pelo conjunto da obra. Bendita seja a mente que gera a idéia e a disponibiliza. Bendito seja o coração que harmoniza os sentimentos e emoções. Benditas sejam as mãos que manuseiam os instrumentos que presentificam a melodia em linguagem compreensível aos visitantes desse quarto escuro.

E lá estamos nós em meio aos sis e fás... aos arranjos que desarranjaram nossos mais nobres desejos e rearranjaram em outras tantas partituras.

E lá estávamos nós a experienciar e a compartilhar momentos lindos, embebidos de uma impar felicidade musical.

Não precisava mais nada, só ouvir e vibrar. Só se deliciar e deixar a emoção rolar. Amigos, irmãos, colegas, parceiros... todos estavam lá espalhando no ar as mais belas notas num conjunto harmonioso e poderoso feito por quem sabe realmente o que faz.

E o quarto escuro se abriu e não tem intenção de fechar, deixou claro qual era o poder do seu conteúdo. E os demônios não estavam lá. Talvez tivessem sido domados. E as angústias não estavam lá, talvez tivessem se desfeito. E as dores não estavam lá, com certeza se dissolveram. Só havia lugar pra alegria, beleza, harmonia! O Quarto Escuro, se encontrou com outros quartos escuros e o belo se fez!! O vazio mostrou o quanto realmente é fértil e produziu um poderoso e maravilhoso encontro poético de sons e ritmos que dificilmente quem estava lá esquecerá. Tinhamos um palco cheio de grandes nomes da música alagoana e uma platéia em êxtase com o grande encontro musical.

Nada descreve com precisão o que realmente aconteceu lá. Nenhuma palavra é suficiente pra dizer que nós produzimos lá nossos melhores sentimentos e saimos renovados e e estupendamente dignificados.

BRAVO!!!!



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

QUEM SOMOS NÓS...


Ao contrário do filme, que trata de buscar explicar o que e quem somos à luz da física, da biologia, não quero explicar nada, nem provar nada. Apenas provocar uma reflexão, ou talvez apenas devanear.

Quem somos nós? penso que somos frutos, resultados, somatórios de diversas coisas que vão muito além do biológico. Peguemos como referência a história. Os eventos históricos que margeiam nossa existência.

Olhemo-nos a partir da nossa concepção; houve amor? houve paixão? houve medo? houve angústia? houve dor? houve raiva? houve alegria? houve rejeição? houve aceitação?...

Olhemo-nos sob ponto de vista social; Que momento se nos apresenta quando nascemos? houveram lutas? houveram conflitos armados? houveram revoluções? houve uma política acirrada? Houveram embates familiares? houve socialização?...

Olhemo-nos do ponto de vista cultural. Que momento se nos apresenta ao nascermos? houve aparecimento de novas ideias? houve manutenção de paradigmas? houve música no ar? houveram encontros culturais? houve nascimento ou auge de algum gênero musical? houve surgimento de alguma moda?

Olhemo-nos assim, recebendo influência de diversos cenários, de diversos contextos, que querendo ou não ajudam a montar nossa personaidade. Nossa performance humana se delineia em face desses contextos também.

Quem somos se delineia a partir de eventos sociais também. Estes nos causam impressões pisíquicas tão fortes que se observarmos de pertinho, podem explicar muitas das nossas atitudes, gostos, preferências.

Quem somos nos, nos torna claro que tem muito mais que o abordado aqui. Daria uma bela tese de mestrado ou doutorado porque levantaria tantas hipóteses que nos deixaria atônitos. Mas o fato é que poderíamos até responder porque gostamos de certo estilo musical, de certo gênero literário, de certo movimento político, de certo tipo de teatro...

Talvez esteja totalmente errada, talvez esteja falando uma enorme besteira. Mas, não tenho aqui a intenção de estar certa. Longe de mim tal ousadia; é só uma provocação; um devaneio, uma conversa antes tida com meus botões e hoje indo para além deles de quem penso que sou...

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Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."


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Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo...um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou?Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro...
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

PELO PRAZER DE SER PSICÓLOGO(A)


Cá estamos nós nos disponibilizando pro outro. Cá estamos nós embarcando na viagem do outro. Uma viagem que não temos garantias certas de destino. Porque não é o destino que realmente importa, mas o caminho percorrido. Aonde se vai chegar é relativo, mas como se vai... os instrumentos de navegação utilizados... a companhia oferecida ... é o que nos importa.

Cá estamos nós, olhos, ouvidos, pele, coração... atentos. Olhos pra ver atentamente o caminho a seguir, os obstáculos a transpor, o mapa a ler.

Ouvidos para escutar sons inaudíveis, muitas vezes incompreensíveis, difusos, com a sutileza de um radar.
Pele para perceber diferentes texturas e formas, para captar sensações diversas e traduzí-las com certa precisão e carinho.

Coração para acolher de peito aberto com amorosidade as dores, angústias, medos, manifestações diversas dos incautos viajantes.

Cá estamos nós companheiros de viagem, co-pilotos de um veículo chamado: outro. Convidados a guiar viajantes que por inúmeras razões perderam seus mapas e ou desmagnetizaram suas bússolas.

Cá estamos nós pessoas guiando outras pessoas. Favorecendo a elas escuta, estímulo, motivações, compreensão, norte, acolhimento...

Cá estamos nós, munidos muitas vezes de uma parafernália de instrumentos, mas sobretudo de mente, corpo e coração abertos.

Cá estamos nós, seres comuns, mas loucos o suficiente para aceitar o outro na sua loucura, que é só sua forma diferente de viver a vida.

Cá estamos nós loucos em potencial, únicos capazes do mergulhar no inferno do outro pra trazê-lo de volta da forma que foi possível outro aguentar.

Cá estamos nós sujeitos incontestes deste universo humano.

Cá estamos nós Psicólogos! Nem sempre certos, nem sempre sabedores de tudo, mas verdadeiramente disponíveis e prontos pra encarar o desafio de ir até onde o outro estiver e com seus instrumentos construir juntos um novo caminho pra seguir.

Parabéns para nós Psicólogos, pois a nós é facultado o direito do resgate humano.

Parabéns para nós Psicólogos, pois a nós é dado a incumbência de trabalhar em prol da sanidade mental.

Parabéns para nós Psicólogos que corajosamente encaramos as agruras do outro junto com esse outro.

Parabéns para nós Psicólogos os loucos instrumentalizados o suficiente para reconhecer sua humanidade no outro humano que sofre e seguir em frente com ele.

Dia 27 de Agosto é o nosso Dia.







sábado, 21 de agosto de 2010

AOS NOVOS - VELHOS AMIGOS



Tenho a nítida sensação de que os amigos que fazemos, não são novos. São muito, muito antigos. São só reencontros. São só reuniões atualizadas de almas que já se conheceram há bastante tempo atrás. São só atualizações de histórias vividas e recontadas de outros ângulos. Parceiros constituídos das mais diferentes formas.

São olhares que se acham na multidão e reacendem o brilho há muito conhecido. São sorrisos que se ampliam transcendem na alegria de viver novamente juntos. São braços que se abrem para novamente se fechar em afetuosos abraços e mãos que se seguram pra poder reiniciar a caminhada.

São corações que flertam amores instituídos e pulsam de maneira ampliada inundando o peito de um amor completamente renovado. São pernas que outra vez juntAs percorrem novos caminhos não menos difíceis, mas com outras características.

O maravilhoso disso é que se apresentam como se nunca se conhecessem e logo, começam a ver as parecenças. Logo começam a ver o quanto compartilham das mesmas idéias, combinam gestos, atitudes e trocam figurinhas com uma intimidade tal que se assustam. Que legal não?!

São pessoas que se sentam e se falam com facilidade e tamanha fluidez. Entram na roda de conversa e se perdem nela animadamente como crianças que cresceram juntas e criaram muitas brincadeiras.

São pessoas que concordam mais facilmente e é como se nunca tivessem se separado um dia, pois não se sente a interrupção. Falam de como está a vida, do que tem feito, de que caminhos percorreram... De que amores viveram...

Quando se olham, se percebem... Falam de alma pra alma. Encantam-se com o que descobrem. Fisicamente podem ter idades diferentes, mas isso é apenas um detalhe... Curtem-se imensamente. Que delícia não?! É simplesmente fantástico. É algo inusitado, por vezes perturbador tal a força que acontece.

Somos todos migrantes de muitas outras vidas. Velhos-novos, novos-velhos amigos que resolvem nunca encerrar sua jornada por acreditar que esse vínculo é o elo de uma corrente maior e que o amor é a verdadeira solda que segura essa corrente e fortalece essa relação.

Esse encontro – reencontro é verdadeiro. Transcende a tudo e todos e o que parece novo é uma diferente forma de dizer: EU TE AMO! E que bom que você está aqui de novo pra gente continuar juntos. Mesmo que seja por pouquíssimo tempo. Amigos são livres, vão e vêm sem se cobrar. Vão e vêm sem exigir. Vão e vêm sem nada pedir. Reconhecem-se e se permitem viver esse encontro. Liberam-se para seguir em frente até que a roda da vida gire novamente e seus caminhos se cruzem outra vez para nova história escrever.





sábado, 7 de agosto de 2010

MERCEDES SOSA - LA NEGRA


Voltemos a falar de música. Desta vez falamos de música latina, precisamente de Mercedes Sosa – La Negra. Assim chamada por sua ascendência ameríndia e também conhecida por ser a voz dos “sem voz” e defender arduamente o Pan-americanismo, a unificação das Américas. Nos deixou em 4 de outubro órfãos de sua maravilhosa voz. Mercedes cantava com o coração, com a alma as histórias dos povos das Américas.

Sua voz enchia o espaço com força, intensidade e muita poesia. Trazia o coração na garganta. Não havia quem não embarcasse na emoção que desencadeava de suas melodias.

Em 9 de julho, faria 75 anos, nos deixou um maravilhoso legado musical, compartilhou o palco com muitos artistas tais como, Chico Buarque, Daniela Mercury, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gal Costa, Fagner, Sting, Andrea Bocelli, Luciano Pavarotti, Nana Mouskouri, Joan Baez, Silvio Rodríguez e Pablo Milanés, dentre outros.

Popularizou canções como Gracias a La vida, Volver a los 17, de Vileta Parra e que canções! Também, memoravelmente interpretou seu compatriota Atahualpa Yupanqui e mais tarde gravou um álbum em sua homenagem. Ganhou peso em sua maravilhosa interpretação. Ninguém o interpretou tão bem quando La Negra. Sim interprete sem igual, trazia na sua voz vida às palavras e melodias que tocava fundo na alma.

Mulher de alma grandiosa, foi uma ativista política forte, foi presa no palco durante um show e banida de seu país. Mas não se deu por vencida, continuou sua caminhada política em sua música e seus posicionamentos o que lhe rendeu prêmios, e titulo de embaixadora da boa Vontade UNESCO para a América Latina. Deixou-nos um legado maravilhoso, entre musica, filmes, entrevistas, documentários, composições, trilhas sonoras.

Que dizer desta mulher amante das coisas simples como canta uma de suas canções em brilhante interpretação Canción de las simples cosas já citada em outro post. Mulher de fibra, de posicionamentos firmes, não se intimidava fácil, trazia belas poesias nas suas falas apresentava artistas diversos que tinha como ela o compromisso com as histórias vividas pelas pessoas, seus fazeres, suas emoções, seus amores, suas dores e também suas alegrias.

Gracias Mercedes! Su vida nos deixou la marca de el amor. El amor por la vida, por los pueblos, por sus historias llenas de emociones y sentimietos.




domingo, 1 de agosto de 2010

NINGUÉM É INSUBSTITUÍVEL


Recebi um e-mail recentemente falando de uma palestra realizada numa empresa onde o Diretor dizia para seus empregados em avaliação dos seus gráficos: Ninguém é insubstituível!

E esta fala soava como uma ameaça aos olhares assustados dos funcionários. A frase ficou ecoando nos ouvidos daquelas pessoas, até que um deles virou-se pro diretor perguntou: E Beethoven? Como? Perguntou o Diretor confuso... O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substitui Beethoven? Ele não teve resposta.

O funcionário sai discorrendo sobre o que ouvira e fora citando outros tantos talentos, dizendo que as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos e que no final continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que quando um sai, é só encontrar outro pra por no lugar. E continua perguntando, quem substitui Beethoven, Tom Jobim, Ayrton Senna, Gandhi, Frank Sinatra, Garrincha, santos Dumont, Monteiro Lobato, Elvis Presley, Os Beatles, Jorge Amado, Pelé, Paul Newman, Tiger Woods, Albert Einstein, Picasso, Zico...? E por aí vai... Diz que esses talentos marcaram a história, fazendo o que gostam o que seus talentos permitiam fazer. E, portanto são insubstituíveis. Cada um tinha além de seus talentos, tinham suas manias, suas dificuldades. O diretor calou-se e ficou a pensar no que havia ouvido.

Minha reflexão está em dizer que estamos sendo tratados assim todo o tempo pelas empresas, pelos diversos lugares institucionalizados. Somos tratados como mercadorias e não como pessoas que têm particularidades, especificidades e que por mais que queiram, não seremos substituíveis nunca. Jamais faremos nada igual ao outro. Somos diferentes, específicos. Cada um tem talentos que o caracteriza e não pode ser negado isso nem desqualificado, ou comparado.

Têm-se uma mania atual de automatizar tudo, tratar tudo e todos como objetos, máquinas ou peças defeituosas, quando não atendem às necessidades de outrem ou as organizações. Novamente voltamos a questionar são os homens que fazem as máquinas e não têm que se comportar como elas. Precisamos sentir as pessoas como pessoas. Valorizar os pontos fortes desses humanos, pois se mudarmos o curso natural das coisas, teremos catástrofes infindáveis à frente.

E então, o que vai ser? Somos talentos únicos. Posso fazer pouco, mas o que faço é único e é isso o que importa. Vamos ser amados pelo que somos ou odiados por outras, pelo mesmo motivo. E assim segue a vida. O bom é que se deixarmos rastro por essa vida, que seja um rastro de um positivo talento que sempre será insubstituível.
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Você é Importante

Ei! Sorria... Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.
Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa.
Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!
Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distancia, e sim, uma aproximação.
Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.
Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.
Você já tornou alguém feliz hoje?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.
Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.
Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.
Ei! Ouça... Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.
Suba... faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo,
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.
Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.
Ei! Você... não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que... te adoro, simplesmente porque você existe.

Charles Chaplin

quarta-feira, 21 de julho de 2010

PSICÓLOGOS EM AÇÃO HUMANITÁRIA – CRP15/ALAGOAS


E lá se foram as casas, as vidas e as referências de muitas pessoas. O que ficou? O que restou? O que sobrou? Ficou a dor da perda, o vazio profundo, o rasgo na dignidade. Restou o desespero, o sentimento de menos valia, de solidão, a angústia no peito. Sobraram lembranças boas e ruins, a solidariedade dos amigos, dos vizinhos, dos desconhecidos; sobraram esperanças, confiança, fé.

Passada a tempestade, e contabilizada as perdas, se volta pra reconstrução. E esta será de duas formas especificamente: de dentro pra fora pela elaboração da auto-estima, do luto vivido, das perdas sofridas e transformadas em potencial superação; e de fora pra dentro pela reconstrução das casas perdidas, dos referenciais físicos, dos marcos residenciais e comerciais.

Este segundo, depende muito do poder público. Da sensibilidade dos governantes, o que se espera existir e não se aproveitar da desgraça alheia pra lucrar com isso. Depende muito da boa vontade dos dirigentes e sabemos que alguns agirão com hombridade, outros manterão atitude vil e desdenhosa da dor alheia e se valerão disso para benefício próprio apenas. É pena não?

Do primeiro e do qual desejo falar mais amplamente, depende da ação de seres com sentidos abertos pra uma escuta qualificada. Dependerão estas pessoas de profissionais que não se intimidem diante da dor psíquica proveniente da catástrofe e consiga enxergar o ser humano despedaçado ali existente. Estamos falando de saúde mental. E quem melhor pra fazer isso senão o Psicólogo? Exatamente! O Psicólogo!

E o melhor disso, os profissionais com essas características estão em marcha na direção deste alvo. Os profissionais envolvidos com essas gentes deixam suas zonas de conforto, suas salas equipadas, seus ambientes bem organizados, seu espaço conhecido e previamente estruturado, pra ir ao encontro desses humanos despedaçados.

Unindo técnica, teoria, vontade, compaixão, senso de responsabilidade, sentidos aguçados, formam parcerias entre entidades pra desenvolver talvez a maior ajuda humanitária que uma categoria profissional já se propôs.

O Estado de Alagoas vê neste momento uma mobilização maciça dos profissionais de psicologia em ação voluntária às vítimas das enchentes. Mobilizados pelo CRP 15 (psicólogos), em parceria com Médicos Sem Fronteiras (orientação, capacitação), Secretaria de Saúde (logística), vão a campo, fazer o que sabem bem, dar suporte emocional às vítimas.

Dizia-se recentemente que as vítimas necessitavam de atendimento psicológico em razão do trauma vivido. Que havia um aumento de estresse, pânico, transtorno mental. Ora bem sabemos dessa situação. Mas não podíamos nos aventurar a nada sem uma devida estruturação. Sem uma preparação mínima que nos permitisse ir lá e fazer direito. Ao tempo em que se cobrava ação destes profissionais não sabendo então, que já havia mobilização organizada, estruturada para este fazer.

Pois então cá estamos nós, nos juntado aos que já se encontram no campo, formando um grupo coeso e pronto pra integrar às equipes multidisciplinares e fechar o circulo de ação deste processo.

Senhores, Os psicólogos de Alagoas não estão alheios, nem de braços cruzados. Ao contrário, estão prontos e indo ao campo, pois o momento é agora, quando a água baixou, o juízo esfriou, a fome foi suprida e a mente pode se abrir pra receber atenção, orientação e se é possível processar a dor.




domingo, 11 de julho de 2010

UMA QUESTÃO DE ATITUDE





Vivemos todo o tempo desenvolvendo reações, posições, movimentos acerca das coisas que pesam e demonstram a todos como somos o que pensamos acerca das coisas que nos cercam.

Nossa maneira de ser é nosso cartão de visita. É ela que nos mostra aos outros e define se somos aceitos ou rechaçados. Se temos um lugar ou se não temos nada. Se conquistamos ou se fazemos de conta. Nossas atitudes são nossos termômetros. Alguns percebem quando estouraram a linha limite, mas outros precisam ser lembrados disso.

Atitudes são procedimentos, comportamentos construídos ao longo de nossa existência. Um conjunto de posicionamentos não muito fáceis de fazer. Às vezes nos perdemos pelo caminho, quando nos deixamos levar pela impulsividade, pela beleza exagerada do efêmero, do fulgáz.

Atitudes enfatizam nossa individualidade, definindo nosso modo de estar com os outros e de encarar as coisas da vida. Elas vêm cobertas de responsabilidade, e têm o poder de modificar completamente a vida das pessoas. Elas ditam regras, caracterizam sujeitos e possibilitam relacionamentos.

Por isso precisamos ter cuidado com elas. Podemos afetar de forma danosa a vida de alguém se não formos perspicaz ou atencioso. Como diz um grande amigo, precisamos evitar deixar rastro na vida. Precisamos passar construindo e jamais destruindo. E se o fizermos, devemos voltar e consertar rapidamente.

Algumas atitudes merecem destaque nesta reflexão: Paciência, requer atenção, observação, cama, cuidado, simplicidade de propósito; Curiosidade, é o ato de investigar, pesquisar buscar, aprender sempre; Planejamento, é a arte de programar as coisas, focalizar as energias em direção a um objetivo; Sabedoria, é uma habilidade é o saber, o conhecimento pra agir pautado na observação e no entendimento profundo das coisas; Transparência, é a arte da clareza, do exercício da verdade sempre; Coragem, é o ato de ousadia, resolução, firmeza de propósito, bravura, firmeza; Astúcia, é a arte de ser sagaz, da finura, da manha; Espírito de Equipe, é a atitude bem difícil de ter, exige da pessoa sentido de coletividade, de cooperação, de pensar no outro e de estar atento ao bem estar do outro além do seu; Diversão, atitude de relaxar de manter o lúdico vivo.

Nada fácil não? Estas atitudes sugerem a nós reflexão de como estamos passando pela vida. Requer vigilância constante. Propósito de manter os sentidos bem ligados ao mesmo tempo de se manter relaxado. Tem mais coisa a ser pontuada. Mas pra começar está de bom tamanho não? Mais detalhes: “A sabedoria dos Lobos” de Twyman L. Towery.


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Atitude

Minha esperança perdeu seu nome...
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.

O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.

Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.

Cecília Meireles, in 'Viagem'

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Atitude

Estou atenta a você que me encara, me olha de ângulos diferentes,

Estou atenta a você que me mede de cima a baixo

Estou atenta a você que me redescobre a cada movimento

Estou atenta a você que não perde um lance de minhas ações

Estou atenta a você que me copia instantâneamente

Estou atenta a você que faz de minha postura, verdades puras

Estou atenta a você que não perdoa se eu falhar com você

Estou atenta a simplesmente me toma como exemplo e me segue plenamente.

Atitude, ato, ação, movimento...

Atitude proposta de ser então, suspeita...


Sílvia Teixeira de Lima


sexta-feira, 9 de julho de 2010

PRECISAMOS DE MAIS TOLERÂNCIA


Vivemos tempos difíceis. Tempos em que se tornam mais complicados sermos gentis, calmos, delicados, amigos, parceiros... Irritamos-nos com facilidade e vivemos à flor da pele. Parece que todos os dias são “Dias e Fúria”. Cultivamos estresses de todas as formas.

Irritamos-nos pelo calor excessivo; pelo trânsito louco; pela falta de dinheiro; pelo descaso das autoridades; pela expansão das drogas; pelo salário parco; por não conseguir pagar as dívidas; por temos religião diferente; por não sermos perfeitos; por não sermos amados...

Estamos em momento delicado. Tudo e todos andam muito melindrados, nada pode ser dito que as pessoas se ouriçam e já partem pra briga. Andamos sem paciência, não esperamos pelas coisas, tudo tem que ser muito rápido, pra ontem. Temos muita pressa pra realizar as nossas tarefas, achamos que todos devem ter o mesmo ritmo e o mesmo tempo de ação. Chegamos a ser cruéis.

Muitas vezes olhamos pro outro já perguntando de forma ríspida o que quer o que está olhando... Raras às vezes dizemos, bom dia, como vai? Precisa de alguma coisa? Posso fazer algo por você? Andamos muito mecânicos e imediatistas. Não esperamos o tempo das coisas, aceitamos menos as diferenças, modos de pensar e agir.

Desenvolvemos ódio pelo que é diferente de nós, ou pelo que não conhecemos. Abominamos e incitamos outros a desenvolver atitudes inóspitas discrepantes criando um ambiente de difícil convivência. Falamos de limites. Que podem ser fixos ou móveis de acordo com a situação, de acordo com ordem social. Falamos de respeito às diferenças, à individualidade. A palavra tolerância provém do latim tolerantia, que por sua vez procede de tolero, e significa suportar um peso ou a constância em suportar algo.

A paciência que faz com que desenvolvamos amor, bom humor, pra lidar com as coisas ruins ou desagradáveis. É uma virtude que temos grande dificuldade em praticar. Ela esta atrelada à compreensão, que é o ato de entender a natureza das coisas. Requer exercício diário, perseverança, diligência, responsabilidade, consciência, respeito... Isto é, um conjunto de fatores que devem ser construídos e exercitados diariamente. E nós geralmente não temos este trabalho.

Precisamos cuidar em repensar nossa atuação como o outro, com nossa vida, com nossas ações... Precisamos ser mais pacientes, menos estressados, precisamos não levar mais as coisas ao pé da letra, avaliar, selecionar, digerir e ponderar mais pra sermos mais felizes.



quinta-feira, 24 de junho de 2010

NEM TANTA FOGUEIRA... NEM MAIS UM BALÃO...



Era pra estamos comemorando o São João, soltando fogos e comendo milho assado. Era pra gente estar dançando quadrilha e fazendo adivinhações. Mas estamos chorando. Estamos tristes, sofrendo com perdas humanas, materiais e tentando entender o que aconteceu.

Estamos lutando pra sobreviver à tragédia de nossas vidas. De repente não temos mais nada. Tudo se foi, tudo se acabou. “E AGORA JOSÉ?...” Só resta a dor. O vazio. Numa fúria enlouquecedora, vem a água e derruba tudo. Leva bens e vidas. E ficamos no nada.

Como fazer agora? Como se erguer? Como contabilizar as perdas. Como trazer de volta os que foram? Como juntar os trapos e recomeçar? Com quem contar? Olhar em volta e não ver mais nada. Não achar mais nada e simplesmente sentar e chorar.

Hora de ajudar, hora de fazer algo por essas pessoas que são nossos parentes, amigos, irmãos... Hora de ajudar, sair da zona de conforto e colaborar. Ajudar a reconstruir as vidas dessas pessoas. Ajudar a recompor a existência. Dar novo sentido à vida, escrever uma nova história.

Hora de engrossar as correntes de apoio e solidariedade. Hora de deixar de sermos mesquinhos, egoístas e ser humanos. Não é uma questão de religião, Vai mais, além disso, é uma questão de humanidade. Devemos mais que nunca olhar pra si e perguntar: E SE FOSSE COMGO?

É hora de engolir a empáfia, de sair do salto, de exercitar humildade. Hora de chegar junto. De dizer: CONTA COMIGO! Hora de arregaçar as mangas e botar a mão na massa e pensar que o que você faz pro outro, volta pra você também estará se ajudando.

Vamos lá, nossa copa é trabalhar pra amenizar a dor e o sofrimento alheio. Sobretudo dessas pessoas que estão hoje, sem lenço sem documento. Hora de desenvolver resiliência e restabelecer a ordem das coisas. Hora de cutucar nossos governantes, de chamar nossos políticos e dizer que precisamos dos jetons deles pra construir novas casas, novas vidas. Hora de olhar pra frente, juntar os caquinhos e dar colorido ao novo mosaico.

VAMOS TODOS AJUDAR. SOLIDARIEDADE JÁ!!

domingo, 13 de junho de 2010

UM DIA FRIO...

Chega o inverno, mudam-se os hábitos, os comportamentos se retraem e ficamos mais introvertidos. Voltamos mais pra dentro de si nós mesmos e adquirimos um jeito mais sério de ser.

Vestimos roupas mais fechadas e mais quentes. Buscamos mais alimentos quentes, para aquecer o estômago e conseqüentemente nosso corpo. Queremos ter a certeza que nossos pés e mãos não sintam frio, já que são os termômetros do corpo; calçamos meias, sapatos fechados e luvas, protegemos o pescoço, os ombros. Dependendo do lugar, gorros, botas, sobretudos e muita lã.

Ficamos mais fechados nas nossas casas e quando vamos aos lugares, escolhemos os ambientes que tenham bom aquecimento e proteção adequada. Os cobertores saem dos armários e as bebidas quentes são as preferidas. Chocolates quentes, caldos, sopas, chás, vinhos, queijos, pratos saborosos, foundes...

Para alguns, o inverno representa tristeza, momento de baixa-estima, de perdas; já que temos pouco sol e pouco calor e daí pouco hormônio do bom humor. As plantas entram em dormência, as flores se fecham e poucas aparecem, o céu fica mais cinzento, as noites mais longas e os dias mais curtos.

Para outros, o inverno representa momento de tranqüilidade, reclusão, interiorização, aconchego e possibilidade de aproximação e melhoria de relacionamentos. Pode ser para muitos, momento de juntar a família mais perto pra se proteger, conversar em volta da mesa... para outros, é o momento de degustar um bom vinho, comer uma boa massa e botar o assunto em dia. Diga-se de passagem, é algo muito bacana. Bons momentos vividos neste período são magníficos. Pra ficar na lembrança pra sempre. Recomendo.


Momento de reclusão para outros, de entrar em contato consigo mesmo e olhar de outra forma a vida. De ver outros prismas, enxergar o caleidoscópio de emoções que existe.

Penso que sozinho ou acompanhado, neste momento é sempre bom esse encontro. Prefiro junto, gosto do toque, do carinho, do aconchego, do compartilhar. Fica mais gostoso não? Por esse ponto de vista, qualquer comida ou bebida degustada dessa forma é mais saborosa.


Momento de experienciar momento de dormência, de preparação pra novo renascimento, nova aurora, reformulação dos amores gris, a vivência das fragilidades, das cores frias, cinzas e azuis, dos desejos incontestes, do ainda desencorajamento do sentir. Mas a expectativa do reviver, do reformular, do estar à flor da pele. Momento das músicas intimistas. Momento de estar quietinho, adormecido, renovando as forças, refazendo as energias, criando, refazendo, reformulando, renovando.Momento de cumprir o ciclo do adormecer para o depertar.


“Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro...” é verdade. Um dia frio é um bom momento pra ler, estudar, ver um filme, escrever. É um convite a muitas ações a serem realizadas sozinho, a dois ou em grupo. Ao redor de uma fogueira, de uma lareira, de um aquecedor, regado a um bom vinho, ou a um chocolate quente, ou a um chá, ou a um caldo quente e uma boa comidinha fumegante. Embaixo dos lençóis, dos agasalhos, dos braços de alguém é algo que vale muito a pena experienciar. Um bom inverno pra todos!


Manhã de Inverno
Coroada de névoas, surge a aurora
Por detrás das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fantástica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, lágrimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras úmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o chão recebe o pranto da viúva.

Gelo não cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
Vão subindo as que encheram todo o vale;
Já se vão descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;
Tudo ali preparou co’os sábios olhos
A suprema ciência do empresário.

Canta a orquestra dos pássaros no mato
A sinfonia alpestre, — a voz serena
Acordo os ecos tímidos do vale;
E a divina comédia invade a cena.

Machado de Assis, in 'Falenas'


quinta-feira, 10 de junho de 2010

TEMPOS MODERNOS


Nosso eterno cômico vagabundo, Charles Chaplin eternizou no cinema memoráveis temas que de forma lúdica e criatividade extrema, com arte e muito bom senso, definiram atitudes e comportamentos que nortearam o os indivíduos naquele contexto histórico.

É possível ver que ainda hoje, a crítica feita de forma magistral por Chaplin, é totalmente atual e contextualizando pro agora, vejo que nos comportamos tal qual descreveu mostrando no filme a forma mecânica individualista que nos tornamos. Creio que hoje mais que antes. Podemos nos perguntar, como assim? A critica dele ocorre nos tempos da revolução industrial, quando da mecanização do trabalho, da migração das pessoas do campo para a cidade e o advento das guerras mundiais.

Mas penso que hoje extrapolou em muito os limites propostos por ele. Diversificamos o trabalho, mas enlouquecemos na correria para atender às necessidades sempre urgentes de sobrevivência para mantermos um padrão de vida razoável de existência.

Corremos de um lado para o outro, tentando atender a múltiplas necessidades. Trabalhamos em vários lugares para dar conta de muitas demandas. hoje as máquinas são os computadores. Estamos funcionando na velocidade das fibras ópticas, das ondas eletromagnéticas. É @.com, nos falamos por e-mails e vamos ao oco do mundo em poucos segundos. Tão lonje e tão perto...

O preço que pagamos é tão caro quanto antes. Continuamos a apertar botões, como mostra Chaplin no filme; só que agora de computadores, de celulares, de Ipods... e travamos relações virtuais, baseadas em perfis inventados, construídos para esconder e prontamente agradar sem sequer experienciar a relação.

Atingimos muitas metas, chegamos aos mais diversos lugares sem sequer sair da nossa cadeira; mas por outro lado aumentamos nossa solidão; criamos mais pânico, estamos mais ansiosos; desenvolvemos mais depressão; temos mais medo e consequentemente geramos mais agressividade.

Tempos modernos?! Sabemos mais sobre tudo e menos sobre nós mesmos. Nos fechamos mais na caverna e compartilhamos menos.

Quero Tempos Modernos do chegar junto; do facilitar o encontro; do olhar no olho; do tocar o coração; do trocar sorrisos, beijos e abraços; do dizer ao vivo e a cores: "que bom estar com você!" ou "Eu te amo!"...

Quero os Tempos Modernos, do poder chegar mais rápido ao encontro do outro; da possibilidade de encontros reais; de ser mais , que ter mais...

Quero os Tempos Modernos, do aproveitar melhor o tempo; do poder ser mais livre pra escolher; do poder ter mais oportunidades pra escolher seguramente; de poder experienciar mais e de não ter medo de SER FELIZ!






quarta-feira, 9 de junho de 2010

MÚSICA DE ALCOVA



Voltemos a falar de música, e, trago um tema que tem sido recorrente nos textos deste blog; a música. E também a música de alcova. Há alguns dias falava pra um amigo que considero Jazz e Blues, música de alcova.

Vou explicar. E vamos começar pelo termo chave: Alcova que segundo o Aurélio é um pequeno quarto de dormir situado no interior da casa, sem aberturas para o exterior; recâmara quarto de dormir, e também quarto de mulher e dormitório de casal. De qualquer forma é um lugar protegido, onde se pode estar como quiser, fazendo o que quiser.

Por ser este ambiente protegido, é onde podemos fazer nossas viagens, ir ao encontro do si mesmo, mergulhar no self. É la que nos possibilitamos sermos nós mesmos e criar. O lugar aonde vamos mais profundo e onde entramos em contato com nossos medos, nossas angústias, nossos desejos, nossas questões. Esse quarto fechado, sem janelas externas, tem entrada e saída únicas. É lá que nos damos conta de quem somos ou nos perdemos em nós mesmos.

E vamos a esse ambiente diversas e diversas vezes. Vezes dessas acompanhados de alguém ou alguma coisa; desprovidos de sentidos ou enternecido de todos eles; mergulhamos no silêncio ou temperamos esse silêncio com sons que nos ajudam a entrar nesse universo desconhecido sem medo de ser feliz.

A alcova é o lugar da busca pelo prazer, pelo bem estar, pelas possibilidades... O Jazz e o Blues têm uma característica inebriante. Que nos remete ao cerne das coisas, pelo movimento ondulante do som que produz. Sim, som em ondas. As ondas são inebriantes, embebedam a gente e nos move em espiral crescente e altamente fértil.

O Jazz, permite improvisação à qual estamos buscando na alcova, improvisar na nossa busca interior. Os sons que parecem desorganizados e díspares, se tornam arrumados e numa ordem sequencial interessantíssima, é um som que promove alegria e despertar.

o Blues, possuidor de ritmo vigoroso, altamente sensual, responsável por contar histórias de maneira simples e totalmente intensas; traz no seu bojo o poder de ir fundo n'alma e expressá-la na integra. A música das angústias e das tristezas que é o que vivemos na alcova.

Ao sermos embalados por quaisquer desses ritmos, esse quarto escuro toma dimensões inegavelmente avassaladoras e nos proporciona momentos maravilhosos e ímpares. Assim defino alcova e a renomeio de vazio fértil, de quarto escuro. Então... Música em nossas vidas!!






quinta-feira, 27 de maio de 2010

O CERTO OU ERRADO?


Amigos, já observaram que vivemos diante de estar sempre fazendo as coisas do modo certo ou do modo errado? O que nos leva a ter tal preocupação? Vamos aos lugares pensando.. usamos a roupa certa? Fazemos o que deveria? Se estamos com alguém, nos preocupamos em fazer tudo para não deixar nada fora do lugar para que fiquem contentes, para que tudo aconteça bem e nenhum furo seja dado.

Quantas vezes nos vemos diante desse dilema? Precisamos ser aceitos no ambiente que frequentamos e criamos uma máscara, um trejeito, uma personagem esperando que dê certo. Que todos gostem, que nos aplaudam, que nos acolham, que nos recebam. Certo ou errado?

Outro dia li um texto de Leila Ferreira, que me fora enviado por uma amiga, que trazia esta reflexão. Me chamou a atenção que o que o texto dizia era exatamente uma expressão da realidade que pautamos pra estar na vida. Ela pergunta "quando é certo?" ou "até que ponto é certo?" Uma pessoa casa com alguém, depois de ter namorado um tempão e aí descobre em um mês que era a pessoa errada? Era "certo" até colocar a aliança. Ou quando você vai comprar uma roupa, prova todas da vitrina e a vendedora olha e diz, essa ficou ótima; mas você se sente ridícula, esquisita com a sensação de estar totalmente disforme e se sente melhor com algo mais simples e sem tanto galamour ou sem tanto detalhe...

Ainda tem aquele dia que você sai com seus amigos pra se divertir, nunca bebeu, mas toma um porre homérico de ir parar no hospital e depois se sentir o Ó, por ter feito uma estupidez e tem o acolhimento de seus amigos e você fica melhor.

O mundo está cheio, repleto de regras que fazem a gente entrar numa de dor e sofrimento por esta briga ontológica de certo e errado. E nesse mesmo texto ainda é dito que "viver é eventualmente poder escorregar ou sair do tom". Ele está certo. E por que não? Que mal faz desafinar um pouco? Sair da linha ou desparafusar o juízo um instante?

Por quê fazer exatamente o que a convenção social nos pede sempre? Seja bonzinho; não pise na bola; não erre nunca; faça tudo nos conformes; seja sempre alegre; esteja sempre de bem com a vida; não emudeça; não se deprima, isso não é pra acontecer com você; tire só notas boas; você é inteligente, não pode fazer besteiras; perdoe sempre; dê a outra face; faça o que todo mundo faz, nem mais nem menos.

Vivemos numa corda bamba tentando nos equilibrar de diversas formas pra conseguir responder às solicitações que nos são impostas pela sociedade. Fazemos um esforço muitas vezes sobre-humanas para dar conta dessas questões todas. Jazz ou Blues? MPB ou Forró? Rock ou Brega? Chega a ser cruel muitas vezes não?

Então volto a concordar com o texto: "Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. O certo ou o “certo” pode até ser bom. Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso." O texto de Leila Ferreir está na íntegra no blog Caixa de Pandora e na Revista Marie Claire nº227 - Fevereiro 2010 - Coluna Final Feliz.