Diferente sim e porque não? Questionamos-nos
todo o tempo na busca de iguais. Na tentativa de encontrar sujeitos que pensem
semelhantes a nós; que sejam do jeito que queremos. Buscamos o igual, mas na
realidade somos diferentes.
Queremos tanto o igual, que não
nos permitimos ver que somos DIFERENTES. E o que realmente nos atrai é o
diferente que o outro tem. É o que eu não tenho que está no outro e me
completa. Mas ao mesmo tempo em que temos essa realidade, nos apavoramos com a
confirmação dessa diferença.
Somos negros/ brancos, fortes/
fracos, alegres/ tristes, pequenos/grandes, feios/bonitos, somos misturas de
raças, híbridos de culturas mil. Sim, híbridos. Nossas línguas denunciam o
quanto somos diferentes e não há fato maior que indique isso que não nós
mesmos. E é o que nos identifica. Cada diferença é o que nos diz quem somos. É
o que nos aponta ao outro para nos mostrar aquilo que nos é único, singular.
Seres únicos amplamente estudados
por diversos cientistas, estudiosos, tentando classificar, nominar, construir
um conhecimento que nos identifique uns perante aos outros sem dor, sem
sofrimento, sem custas. Por que o que nos faz singular, diferente, também nos
segrega, castiga, distancia. Mas pode nos unir, defender, agregar.
“Identidade é uma palavra difícil
de definir, traz em seu sentido a marca do caráter complexo das coisas que
discute uma vez que pode significar tanto a qualidade do idêntico e do comum,
como o conjunto de caráter próprios e exclusivos.. “ (Camila Rodrigues) fazemos
uma construção simbólica, que supõe vivamente a junção de sentimentos que
constrói-se invariavelmente em relação ao “outro”. Esse outro os serve de
espelho refletindo nossa própria imagem que ousamos muitas vezes negar, desconhecer.
Porque temos tanto medo de ser
diferentes? Será que tememos não nos reconhecer? Não nos perceber? Não nos
encontrar? A verdade é que o somos. É fato. Admitir e aceitar a diferença é nos
conscientizar de nossa identidade. É confirmar quem somos, o que queremos e não
nos perdermos ou misturarmos no outro que sinaliza essa realidade. Identidade é
uma conceituação de unicidade, é uma construção de saberes sociais,
idiomáticos, simbólicos de um povo, de um grupo, de um indivíduo que se
reconhece que se põe a ser visto, ser identificado.
Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés —
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma ...
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXIX"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Sempre me perguntei como a música entra em nossos ouvidos e chega às nossas mentes em maravilhosas construções de sentimentos.
Sempre me perguntei como poderíamos ouvir a música existente na vida, nas letras, nas historias.
Sempre me perguntei como ouvir a melodia das palavras e traduzir os sentimentos de forma tão maravilhosamente precisa.
Pois bem, neste instante encontro aqui no Esses Poetas a possibilidade de ouvirmos músicas extraídas com tão peculiar sensibilidade de memoráveis poetas alagoanos.
Esses Poetas traduz sensibilidade, qualidade, musicalidade, peculiar criatividade, atenção e a dedicação exclusiva do artista, que sem pressa encontrou a linguagem exata que expressa a arte contida nas palavras.
É ímpar. Poesia e música ganham ritmo e especial construção nas mãos de músicos de tal calibre.
A música vibra por entre as cordas dos violões, a cadência da percussão, a delicadeza das teclas do piano, a fluidez dos sopros...
Uma gestação longa, um trabalho apurado, minucioso, criterioso. Mácleim encontrou a medida certa, o tom adequado desse trabalho.
Trouxe parceiros com igual sensibilidade e maestria que captaram a musicalidade das palavras desses maravilhosos poetas alagoanos.
A música amplia o significado das palavras. Conta à história num outro ritmo que dá intensidade e chega à alma. Perfeito Mácleim!
Você tirou sons apenas audíveis a alguém de sensibilidade apurada como a sua. Trouxe com você músicos e intérpretes de igual condição e compreensão.
Cada poema traz uma música com sonoridade própria e vibrante. Abrem-se ouvidos, mente e coração para a grandiosidade dessa arte.
Eternizam-se os poetas e os músicos envolvidos nesse trabalho numa produção carinhosa e equilibrada.
Parafraseio Aquiles Reis que escreveu na sua coluna que o disco não se prende a estilos, flui livremente em gêneros díspares e brasileiríssimos e Mácleim captou a essência ideal para dar sonoridade a cada verso.
É isso aí Precioso amigo, o encadeamento está completo, poesia, ritmo, harmonia. Parabéns Mácleim, Juliano Gomes, Edu Morelembaum, Júnior Almeida, Fernando Melo, Wilma Araújo... e os nossos maravilhosos poetas, por nos brindarem com essa estrela de primeiríssima grandeza.
Que brilhe a estrela, iluminando nosso céu com a luz que clareia nosso coração e nossas mentes ampliando nossa sensibilidade à arte e a musicalidade. SALVE ESSES POETAS!
Hoje se comemora o DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, dia para lembramos a saga dos nossos irmãos negros em nosso País. Dia em que paramos para refletir sobre nossa história, sobre nossas raízes.
Esta data foi criada por um Projeto de Lei número 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. Data esta escolhida por ter sido o dia em que morreu Zumbi doa Palmares. Exatamente em 20 de novembro de 1695. Sua luta foi a luta dos negros contra a escravidão. Morreu em combate, defendendo seu pó, sua comunidade. Os quilombos eram um grupo de resistência ao sistema escravista e uma forma coletiva de manutenção da cultura africana no Brasil.
Não podemos negar a importância da cultura negra no Brasil; foram trazidos para fazer o trabalho braçal e escravo. Fizeram nossas lavouras e nossa economia se desenvolver, A cultura desse País se mesclou à deles. Nova cultura nasceu.
Trouxeram sua religião, seus costumes, suas comidas, seus aspectos políticos e sociais e era mais que natural que lutassem para a manutenção dessa história. Até porque não podiam voltar ao seu país de origem. Então mais do que imprescindível era estabelecer-se com sua identidade.
Porém essa identidade lhes fora negada pela escravidão. E os quilombos eram a razão da manutenção de sua história. Sua música marcante e cadenciada, cheia de sensualidade, falava de suas histórias, de seus desejos de sua poesia.
Hoje, 221 anos depois da abolição da escravatura, ainda temos conflitos raciais, e faz-se necessário incluir o negro na nossa história. Temos um País mesclado pelos diversos povos que contribuíram para a formação da nossa cultura e em especial o povo Africano que deixou seu DNA em nossa identidade nacional.
Faz-se necessário ainda lutar muito para a essa identidade social ser natural. Temos muitos exemplos de Negros bem sucedidos em nosso país; mas ainda temos uma grande quantidade de pessoas negras em situação de vulnerabilidade.
O Dia da Consciência Negra é não só para lembrar-se de Zumbi dos Palmares, é para manter viva a importância desse coletivo para nossa existência; é nos darmos conta de nossa história não é uma história qualquer, é uma história erguida pelos homens e mulheres que transformaram essa terra em suas, que deixaram para trás suas vidas e as reescreveram nessas paragens.
A cultura negra é fato na nossa história, é linda, rica, cheia de colorido, musicalidade, ritmo, sensualidade e energia. Salve Zumbi a “força do espírito presente! Esse é o significado do seu nome e realmente seu espírito está aqui, presente em nós forte, intenso. Como todo mártir, sempre se pensa que o matando, mata-se a idéia, declina-se a força. Ledo engano. Só se fortifica. Só se engrandece. Só amplia a idéia, pois seus seguidores já se contaminaram sua força já se espalhou.
Salve Zumbi! Salve a cultura negra! Salve todos nós descendentes das mulheres e homens guerreiros negros.
Queridos alunos, queridos amigos, queridos agora... Colegas, chegou o grande momento! O momento de festejar a sofrida batalha de se graduar. De terminar um curso, concluir uma etapa, fechar uma gestalt.
Uma odisséia vivida por muitos como Ulisses em sua jornada na busca de seus significados. Muitos com certeza iniciaram ainda sem realmente ter a certeza se este era o caminho que desejariam trilhar. Mas na verdade TODOS foram buscando percorrer este caminho tentando descobrir a cada passo o que ele lhes revelava. Tinha-se a vontade de seguir, mas nada estava claro do que encontrar. O Velocino de Ouro, ainda estava por ser descoberto.
E assim como Ulisses, mesmo sendo avisados dos percalços, perigos, venturas e desventuras que poderiam encontrar, decidiram seguir em frente. Como bravos guerreiros travaram longas batalhas e descobriram também, lindas paisagens repletas de muitas flores.
Fizeram muitos amigos, descobriram muitos parceiros e até... amores. Permitiram-se desvendar um pouco dos seus mistérios e construíram seus significados. Deram-se conta que tinham que se desconstruir para se construir melhores. Deram-se conta que precisavam aguçar os sentidos para entender a linguagem advinda da dor, dos medos, das angústias suas e dos outros. Aprenderam que ouvir era condição primordial, ferramenta principal da ação de ser PSICÓLOGOS e assim entender o que estava escondido na alma das pessoas. E como diz Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“
E para ouvir teriam que calar muitas vezes pra observar, acolher, cuidar, empatizar.
Nosso papel está aí neste escutar o inaudível, parafraseando Fernando Pessoa é a experiência de algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
Experiência!! Sim, experiência. A vivência da emoção, do sentimento, para promover a mudança. Afinal como boa adepta da fenomenologia e do existencialismo, só se muda aquilo que se experiência não é?
Aprenderam assim que experienciar era a única maneira de construírem-se psicólogos! Só percorrendo o caminho pra saber o que tinha nele e o que fazer com ele. E como diz Skank, o caminho só existe quando você passa!
E cá estão todos, finalizando essa etapa. Alguns desde o início sempre juntos; outros se juntaram ao longo do caminho e fortaleceram os laços e se tornaram parceiros, companheiros de viagem.
Estou feliz!! Muito Feliz por ter contribuído para a experiência desse caminho. Estou feliz por ter sido companheira dessa viagem. Porém, ela não termina aqui. Ao contrário iniciamos um novo percurso e os laços feitos nesse caminho continuarão apertados. Continuaremos companheiros de viagem tenham certeza! Aprendendo, construindo desvelando o outro.
É pra isso que estamos aqui. Pelo outro. Agora nos munimos dos instrumentos aprendidos e os disponibilizamos para o outro. Cá estamos nós, olhos, ouvidos, pele, coração... atentos. Olhos pra ver atentamente o caminho a seguir, os obstáculos a transpor, o mapa a ler.
Ouvidos para escutar sons inaudíveis, muitas vezes incompreensíveis, difusos, com a sutileza de um radar.
Pele para perceber diferentes texturas e formas, para captar sensações diversas e traduzí-las com certa precisão e carinho.
Coração para acolher de peito aberto com amorosidade às dores, angústias, medos, manifestações diversas dos incautos viajantes.
Cá estamos nós companheiros de viagem, co-pilotos de um veículo chamado: outro. Convidados a guiar viajantes que por inúmeras razões perderam seus mapas e ou desmagnetizaram suas bússolas.
Cá estamos nós pessoas guiando outras pessoas. Favorecendo a elas escuta, estímulo, motivações, compreensão, norte, acolhimento...
Cá estamos nós, seres comuns, mas loucos o suficiente para aceitar o outro na sua loucura, que é só sua forma diferente de viver a vida.
Cá estamos nós loucos em potencial, únicos capazes de mergulhar no inferno do outro pra trazê-lo de volta da forma que for possível o outro agüentar.
Cá estamos nós sujeitos incontestes deste universo humano.
Cá estamos nós Psicólogos! Nem sempre certos, nem sempre sabedores de tudo, mas verdadeiramente disponíveis e prontos pra encarar o desafio de ir até onde o outro estiver e com seus instrumentos construir juntos um novo caminho pra seguir.
Sejam bem vindos a este ponto de chegada e também de partida. Usem tudo o que viveram, tudo o que experienciaram da melhor maneira que puderem. Quando sentirem dificuldade estaremos aqui nós, seus companheiros de viagem pra nos apoiar e lembrar que “NÃO IMPORTA O QUE FIZERAM DE NÓS MAS O QUE FAZEMOS DO QUE FIZERAM DE NÓS” Como sabiamentedisse SÁRTRE.
Discurso proferido na formatura da Turma “A AÇÃO DA PSICOLOGIA EVOLUINDO O SER” - Em 29/07/2011
Há mais de 50 anos fora criada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um instrumento legal e muito significativo para barrar e punir os responsáveis pelos crimes praticados contra a humanidade.
No seu preâmbulo mostra os objetivos que pretendia atingir. Nesse documento encontra-se claro o compromisso com a liberdade da pessoa, o respeito à sua dignidade, a igualdade de direitos e a defesa da justiça e da paz mundial.
Esse documento aprovado em 10/12/1948, pela Assembléia Geral das Nações Unidas, foi um grande divisor de águas criando referências plausíveis para o trato da violência.
Mas o que está sendo feito vivido dele? O quanto está sendo praticado? O que conhecemos na realidade de sua utilização pelos povos?
Às vezes acho que criamos leis, documentos, que deveriam servir de proteção e guia de conduta, pra nos escondermos atrás e ocultar nossa real hipocrisia e sordidez.
A Segunda Guerra Mundial terminou, mas ela assumiu outra face, na expressão do tráfico de drogas, de pessoas, da violência urbana, os acidentes de trânsito. Os campos de concentração foram extintos, mas migraram para a violência cotidiana e tão impiedosa quanto às câmaras de gás que exterminaram tantos seres humanos.
O tráfico de drogas e os acidentes de trânsito matam mais gente que as guerras civis de muitos países.
A guerra que era algo direcionado, com lugar específico para acontecer e alvos definidos, passa a acontecer na sutileza das relações familiares, nas festas que deveriam confraternizar e alegrar e com pessoas que deveriam ser amigas, parceiras e/ou deveriam proteger aos demais.
O sentimento de ódio era dirigido hoje, generalizado. Todos passam a ser alvos diretos e devem ficar sempre à espreita, numa atitude desconfiada e temerosa de que o outro é nosso inimigo em potencial e pode se tornar a qualquer momento um enorme ameaça.
Falamos em Direitos Humanos, mas, não conseguimos garanti-los. Temos show de impunidade declarada, uma violação explícita de todas as regras e uma sociedade cujas bases morais não estão bem definidas contribuindo para a repetição dos erros que condenamos.
Acumulamos problemas anulando os direitos da pessoa, ampliando vítimas em todas as esferas humanas. Desferimos alvos contra mulheres, homossexuais, índios, crianças, negros.
Carecemos do exercício ampliado da solidariedade, da tolerância. Precisamos exercitar a ética, o Ethos do Cuidar. Uma ética ampliada a toda a condição humana. Chamo nesse momento a todos e, sobretudo aos PROFISSIONAIS DA PSICOLOGIA, para a mobilização de uma reflexão, praticas do ESTADO, para criação e fidelização de POLÍTICAS PÚBLICAS que realmente contemplem no seu bojo o respeito e ações concretas da cidadania.
Chega de legitimar o sofrimento, pois isso é uma completa e intolerável violação ao humano, à convivência social e à sociedade em sua totalidade. Faz-se necessário reconhecer o outro como SER de razão, de sentimentos e de liberdade. “O compromisso dos governantes, da sociedade e dos profissionais com o fortalecimento do respeito com os Direitos Humanos, deve ultrapassar as ações caritativas ou filantrópicas e atingir os valores, o compromisso filosófico e a ética, voltados para a emancipação, para a cidadania e para a inclusão social.” (PASSOS, 2007).
Ainda estamos longe dessa universalização de direitos, desse exercício pleno da ética. Infelizmente parece que a situação se agrava a cada momento e foge totalmente ao controle. Mas, se pararmos de refletir, analisar e tentar, será o mesmo que assinar nossa sentença de morte. E eu prefiro continuar tentando! Vamos lá?
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Versão Popular de Frei Betto
Todos nascemos livres e somos iguais em dignidade e direitos.
Todos temos direitos à vida, à liberdade e à segurança pessoal e social.
Todos temos direito de resguardar a casa, a família e a honra.
Todos temos direito ao trabalho digno e bem remunerado.
Todos temos direito ao descanso, ao lazer e às férias.
Todos temos à saúde e assistência médica e hospitalar.
Todos temos direito à instrução, à escola, à arte e à cultura.
Todos temos direito ao amparo social na infância e na velhice.
Todos temos direito à organização popular, sindical e política.
Todos temos direito de eleger e ser eleito às funções de governo.
Todos temos direito à informação verdadeira e correta.
Todos temos direito de ir e vir, mudar de cidade, de Estado ou país.
Todos temos direito de não sofrer nenhum tipo de discriminação.
Ninguém pode ser torturado ou linchado. Todos somos iguais perante a lei.
Ninguém pode ser arbitrariamente preso ou privado do direito de defesa.
Toda pessoa é inocente até que a justiça, baseada na lei, prove a contrário.
Todos temos liberdade de pensar, de nos manifestar, de nos reunir e de crer.
Todos temos direito ao amor e aos frutos do amor.
Todos temos o dever de respeitar e proteger os direitos da comunidade.
Todos temos o dever de lutar pela conquista e ampliação destes direitos.
Outro dia escrevi sobre as mudanças e muitas questões permeiam minha cabeça desde então e como sempre cada questão se amplia em proporções geométricas em outras novas questões.
Venho observando os acontecimentos e a que mudanças somos convidados a fazer. Atualmente o clima se encontra desordenado e produz desastres naturais capazes de desorganizar e devastar muitas vidas. O clima muda porque nós criamos condições para isso.
Alteramos bruscamente o funcionamento de toda uma estrutura ambiental. Abrimos buracos na camada de ozônio, por aumentar a produção de gases tóxicos; arrancamos árvores, das nossas florestas, alterando assim todo um conjunto de ecossistemas; produzimos lixo em quantidade que não conseguimos processar; modificamos geneticamente espécies para ver na maioria das vezes no que vai dar; trabalhamos alucinadamente para produzir mais estresse e menos qualidade de via; embora falemos dela todo o tempo.
Comemos mais rápido do que nosso organismo pode processar; Criamos guerra biológica pra servir a interesses particulares e totalmente egoístas; Aumentamos o medo uns dos outros e vivemos mais solitários e deprimidos.
Inchamos as cidades e nos tornamos demasiadamente violentos, desconhecendo cada vez mais nossa espécie; continuamos a produzir “guerras santas”, matando em nome de Deus. O mesmo Deus que sabemos ser misericordioso compassivo. Mas usamos seu nome pra tirar nossa responsabilidade e ter a quem culpar.
Isso e muito mais chamamos de atitude humana. Isso e muito mais caracterizamos como desenvolvimento humano.
Não é possível fazer vistas grossas a essas questões e nos mantermos a margem do processo. Não é possível viver fechando os olhos para questões que nos convidam a repensar todo o tempo nossas atitudes e nos propor uma trégua.
Não é possível que sejamos tão cruéis que não ponhamos freio em nossa atitude animalesca. Não é possível que nossa atitude ética não seja restaurada. Sim ética. Ética do cuidar, ética do preservar, ética do olhar com carinho e respeito a todos, ética de aprender a conviver com as diferenças, ética de entender que não podemos obrigar nada nem ninguém a ser totalmente iguais.
Ética de enxergar além do que se apresenta ética de assumir postura e atitude misericordiosa e compassiva desse Deus que insistimos em manter vivo na nossa mente e nos nossos corações. Ética de não deixar só nas mãos dele essa responsabilidade, mas assumir a parte que nos cabe. Ética de não ser mais indiferente à miséria humana e sim prorcionar acolhimento e melhoria de suas mazelas.
Peço a Deus e aos homens, que a dor, a guerra, não nos seja indiferentes, que não fechemos mais os olhos nem o coração às atrocidades que estamos vivendo. Que sejamos sim, melhores e que sobressaiam mais nossas ações humanitárias e que nós seres humanos entendamos que o amor é um caminho possível de ser trilhado.
Tudo muda sempre. Estamos de um jeito hoje e logo em seguida de outro. A mudança é constante e necessária bem como inevitável. Muitas vezes é sutil e não percebemos. Outras vezes quem está a nossa volta enxerga primeiro e nos anuncia.
O fato é que somos seres mutantes. Temos prazo de validade vencido em tudo, nascemos assim. Nas etapas da vida, nas circunstâncias, nos eventos, no tempo, nas atitudes, no corpo, nos relacionamentos.
Cremos piamente que tudo dura para sempre. Aprendemos assim. Mas não é verdade. Não nascemos pra durar. Nascemos pra ter um fim. Pra terminar um dia. Mas teimamos em acreditar que somos eternos. Então sofremos. Criamos vínculos fortes e lutamos para eles não terminarem. Agarramos-nos a tudo e negamos sua finitude. Nossos relacionamentos são feitos, criados para permanecer. Nossa cultura impõe essa crença. Fazemos laços, mas não aprendemos a desfazê-los. Prendemos as pessoas, as coisas, conosco, como se fossem objetos particulares ou apêndices. Fazemos sofrer e sofremos junto.
Precisamos nos dar conta do que chamamos na filosofia budista: IMPERMANÊNCIA. Sim, tudo é impermanente e devemos nos ater às coisas e pessoas como passageiras e deixá-las ir quando for seu tempo. Se nos apegamos, sofremos. Devemos estar atentos ao movimento, à migração dos elementos que constroem as relações, eles são móveis. Mudam porque mudamos. Porque a roda gira. Nada fica do mesmo jeito nunca. Só não admitimos.
E novamente mudamos o ano, e propomos mudanças que não sustentamos pelo fato de não aceitar a necessidade real delas. O que vai ser? Até quando iremos nos comportar assim? È preciso encarar. Reconsiderar que o novo “sempre vem” como diz Belchior. Mudar é preciso pra manter o ciclo de desenvolvimento. E quando falo em mudar, falo em concretude. Ser mais humanos, mais amorosos, mas tolerantes, mais amigos, mais solidários, mais atentos, mais alegres, mais conscienciosos. Enfim...
Vamos lá! Nós podemos. Afinal, como dizem os orientais a única coisa permanente é a mudança! E fato é fato! Todo cambia...
Estamos virando o ano, neste momento várias coisas nos passam à mente. Questionamentos, dúvidas, angústias, lembranças, idéias, projetos... É o momento de repassar a lista. Rever o que foi feito, o que ficou pendente, o que não pode ser realizado, o que merece reformulação.
É o momento de elencar as ações e rever tudo. Parar refletir ver que aprendizados foram desenvolvidos e checar de pertinho se avançamos ou paramos no tempo. De verificar se fizemos alguém feliz ou se causamos sofrimento a outros alguéms.
É o momento de dizer em alto e bom som valeu à pena! Fiz o meu melhor! Posso seguir adiante e não tenho do de que me envergonhar. É o momento de reconhecer os erros cometidos e refazer a planilha de cálculos pra novas estratégias de ação.
É o momento de encarar os medos e fazer amizade com eles. É o momento de olhar os “inimigos” de frente, olho no olho e dizer obrigada pelo que me ensinou a ser. É o momento de ser compassivo com os incautos e reconhecer que eles são aprendizes sem mestres, portanto erram mais que acertam.
É o momento de presentificar claramente o que insistimos em manter oculto, por desconhecer a forma certa de fazer e ignorarmos a necessidade de pedir ajuda. É o momento de reconhecer que não somos donos de nada. Tão pouco dos saberes que nos impõe.
É o momento de adquirir ritmo, marcante, intenso para cada passo a ser dado no novo projeto. É o momento de dizermos sim às parcerias que possam nos acrescentar e somar às novas iniciativas.
É o momento de ver que os amores perdidos, não voltam mais e que é preciso seguir adiante e viver novos amores. É o momento de deixar as mesquinharias de lado e desenvolver sentimentos nobres como compaixão, respeito, gentileza. É o momento de entendermos que ninguém nos pertence e que o máximo que podemos fazer é sugerir algo aos outros, jamais, obrigá-los.
É hora de revermos o quanto de nossa Caixa de Pandora foi espalhado e destacar toda a esperança possível pra reverter o caos instalado. É hora de domar os demônios e assumir posturas inovadoras e responsivas.
Nossa lista não deve e sim cuidadosamente revisada, ano a ano e de preferência totalmente transformada e que deva ao final se possível, conter mais somas que subtrações. Cada ato registrado deverá conter mais ações solidárias que solitárias.
É o momento de entendermos que o mundo não gira em torno do nosso umbigo, que nosso olhar pra nós deve ser de compreensão de nossas fraquezas e melhoramento de nossas falhas pra servir aos outros. Senão, não serve.
É o momento de percebermos que somos imperfeitos, mas que nada nos impede de domarmos nossa mesquinhez e nossas atitudes tortas, são fruto da ignorância de nossa mente diante da nossa imperfeição humana.
Que a nossa lista seja feita e analisada sabiamente e possa referendar bem o novo ano que já se inicia. FELIZ 2011 PRA TODOS!!!!
"Então é Natal... e o que você fez?" O que fizemos pra poder comemorar o advento de um novo ano? Lá vamos nós: confraternizar, comprar presentes, fazer ceia, distribuir sorrisos e tentar acreditar que tudo está bem. Será que está tudo bem mesmo? Não sei. Acho que estamos mal na fita! Chegamos a mais um Natal e o que produzimos durante o ano? O que plantamos pra colher ao final? Qual foi a qualidade das nossas sementes? A humanidade está em conflito com sua condição, produzimos mais guerras; mais doenças, mais fome, mais miséria, mais dor, mais mortes, mais... desequilíbrio. No que nos tornamos? Falamos de amor, de respeito, de solidariedade... mas banalizamos o sofrimento, a violência. Falamos... e falamos... e falamos... E agimos tão pouco. Precisamos acordar pra vida. Estamos dizimando nossa própria espécie, confirmando o que há muito já dizíamos nos livros e filmes de ficção científica. Só que atribuíamos essa situação a seres de outros planetas, uma tentativa talvez de justificar nosso lado cruel, ruim. Precisamos acordar e nos orientar pra o que estamos propondo pra nós enquanto espécie. Tem se tornado comum assaltos, mortes violentas, estupros, guerra do tráfico, assassinatos, discrimação, mentira, hipocrisia... Tem sido tratado com pieguice, bom senso, respeito às diferenças, honestidade, educação, responsabilidade, sensibilidade, amor. Fico triste! Mais um ano e cá estamos contabilizando muitas e muitas perdas. E nada vamos fazer? Ei ser humano! ACORDE! Pare com tanta miséria! Enxergue seu lado bom. Enfatize-o. Amplie seu coração e desenvolva mais compaixão! Somos seres sencientes. Seres com consciência. Seres pensantes, capazes de fazer inúmeros milagres, inclusive o de se REINVENTAR!
É impressionante como certas coisas mexem profundamente com a gente. Pessoas, objetos, atos, música... Não importa quanto tempo passe. Torna-se um carimbo. Uma vez posto fica pra sempre registrado. Marca como ferro em brasa.
Desejo aqui falar de música. Mais uma vez a música. Esse item tem um peso fantástico, capaz de agregar à composição valores, momentos, histórias sentimentos, desejos, sonhos, ideologias... Agrega em si significados que atravessam o tempo e vai gentilmente se adequando ao que se tiver no momento.
Periodicamente vamos recuperando na memória situações destas que funcionam como um ativador de emoções construídas num dado instante e que se confirmam na hora da afirmação do desejo.
Abre-se uma janela nesse itinerário e as lembranças vêm e se reinstalam objetivando uma reforma íntima e sugerindo um desfecho ou uma vivência plena daquilo que ficou para trás e achava-se terminado.
Uma música em especial vem permeando meu universo existencial de forma insistente e contundente – Jura Secreta. Vem ecoando em meus ouvidos num crescendo um tanto quanto perturbador. Onde quanto mais escuto, mais quero escutar.
Perguntava-me todo o tempo o que ela queria me dizer. Qual a mensagem que estava passando. Porque me tocar tão fundo agora? Fui observando o sentimento que se desenhava e vendo a letra e as diversas interpretações já feitas. Além de procurar ver o contexto social do momento.
Busquei analisá-la seguindo as pistas dos signos impressos na melodia; na letra; nas interpretações. Ela chega de início como um lamento, um choro, uma solicitação, um arroubo de um desejo não concretizado.
“Só uma coisa me entristece/o beijo de amor que eu não roubei/a jura secreta que não fiz/a briga de amor que não causei”
Isso me diz que eu e tantas outras pessoas não experienciaram isso. Não viveram esse arroubo de juventude e há uma saudade impressa no ar desse experimento passado em branco nas maneiras de se expressar da juventude tardia.
Num segundo momento entendo como uma confissão de uma dor intensa, de um sentimento desejoso de ser vivido. Mostrado em tanta expressão de insatisfação nas relações, em tanto vazio existencial, em demonstração de incompletude, em tanta busca desenfreada pelo par perfeito, pelo amor ideal. Uma busca e um medo de formar vínculos fortes e duradouros.
“Nada do que posso me alucina/tanto quanto o que eu não fiz/nada do que quero me suprime/do que por não saber ainda não quis”
Denota certa impotência, mas sugere uma busca intensa e profunda. O desafio do não vivido, que muitas vezes nos assombra feito fantasma arrastando correntes nos corredores dos nossos velhos castelos.
Então ao final, a solicitação. O pedido de desfecho de consecução do desejo. A palavra anônima, que devora, que deixa impressa na alma o mistério da busca ontológica de afirmação da existência humana, o amor, o outro.
“Só uma palavra me devora/aquela que meu coração não diz/só o que me cega, o que me faz infeliz/é o brilho do olhar que eu não sofri.”
Há uma necessidade de compartilhar, o desejo de uma alucinação consciente; uma vontade de nos suprir pelo prazer de partilhar. Experienciar o perder o chão, o estremecer das bases e a certeza talvez do retornar do mergulho interno no final. Mas embora desejos disso, sucumbimos ao medo de ser, de se deixar ir, de se permitir sentir... Só uma palavra me devora...
E o Quarto Escuro se abriu... Se abriu pra receber, pra acolher e acomodar de forma generosa seus visitantes e oferecer a todos muitos sons, acordes...emoções!
E á estávamos nós visitantes intrépidos a nos deixar levar por esse vazio totalmente fértil e se beneficiar das sutis belezas instaladas nas paredes móveis desse Quarto Escuro.
E lá estávamos nós compartilhando em iguais condições os mais nobres e profundos sentimentos que a pura música pode oferecer.
Benditos sejam os sons que embalam nossa alma nesse mergulho profícuo. Bendita seja a harmonia da música gerada pelo conjunto da obra. Bendita seja a mente que gera a idéia e a disponibiliza. Bendito seja o coração que harmoniza os sentimentos e emoções. Benditas sejam as mãos que manuseiam os instrumentos que presentificam a melodia em linguagem compreensível aos visitantes desse quarto escuro.
E lá estamos nós em meio aos sis e fás... aos arranjos que desarranjaram nossos mais nobres desejos e rearranjaram em outras tantas partituras.
E lá estávamos nós a experienciar e a compartilhar momentos lindos, embebidos de uma impar felicidade musical.
Não precisava mais nada, só ouvir e vibrar. Só se deliciar e deixar a emoção rolar. Amigos, irmãos, colegas, parceiros... todos estavam lá espalhando no ar as mais belas notas num conjunto harmonioso e poderoso feito por quem sabe realmente o que faz.
E o quarto escuro se abriu e não tem intenção de fechar, deixou claro qual era o poder do seu conteúdo. E os demônios não estavam lá. Talvez tivessem sido domados. E as angústias não estavam lá, talvez tivessem se desfeito. E as dores não estavam lá, com certeza se dissolveram. Só havia lugar pra alegria, beleza, harmonia! O Quarto Escuro, se encontrou com outros quartos escuros e o belo se fez!! O vazio mostrou o quanto realmente é fértil e produziu um poderoso e maravilhoso encontro poético de sons e ritmos que dificilmente quem estava lá esquecerá. Tinhamos um palco cheio de grandes nomes da música alagoana e uma platéia em êxtase com o grande encontro musical.
Nada descreve com precisão o que realmente aconteceu lá. Nenhuma palavra é suficiente pra dizer que nós produzimos lá nossos melhores sentimentos e saimos renovados e e estupendamente dignificados.
Ao contrário do filme, que trata de buscar explicar o que e quem somos à luz da física, da biologia, não quero explicar nada, nem provar nada. Apenas provocar uma reflexão, ou talvez apenas devanear.
Quem somos nós? penso que somos frutos, resultados, somatórios de diversas coisas que vão muito além do biológico. Peguemos como referência a história. Os eventos históricos que margeiam nossa existência.
Olhemo-nos a partir da nossa concepção; houve amor? houve paixão? houve medo? houve angústia? houve dor? houve raiva? houve alegria? houve rejeição? houve aceitação?...
Olhemo-nos sob ponto de vista social; Que momento se nos apresenta quando nascemos? houveram lutas? houveram conflitos armados? houveram revoluções? houve uma política acirrada? Houveram embates familiares? houve socialização?...
Olhemo-nos do ponto de vista cultural. Que momento se nos apresenta ao nascermos? houve aparecimento de novas ideias? houve manutenção de paradigmas? houve música no ar? houveram encontros culturais? houve nascimento ou auge de algum gênero musical? houve surgimento de alguma moda?
Olhemo-nos assim, recebendo influência de diversos cenários, de diversos contextos, que querendo ou não ajudam a montar nossa personaidade. Nossa performance humana se delineia em face desses contextos também.
Quem somos se delineia a partir de eventos sociais também. Estes nos causam impressões pisíquicas tão fortes que se observarmos de pertinho, podem explicar muitas das nossas atitudes, gostos, preferências.
Quem somos nos, nos torna claro que tem muito mais que o abordado aqui. Daria uma bela tese de mestrado ou doutorado porque levantaria tantas hipóteses que nos deixaria atônitos. Mas o fato é que poderíamos até responder porque gostamos de certo estilo musical, de certo gênero literário, de certo movimento político, de certo tipo de teatro...
Talvez esteja totalmente errada, talvez esteja falando uma enorme besteira. Mas, não tenho aqui a intenção de estar certa. Longe de mim tal ousadia; é só uma provocação; um devaneio, uma conversa antes tida com meus botões e hoje indo para além deles de quem penso que sou...
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Não sei quem sou, que alma tenho. Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)... Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho. Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada (?), por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem Quem sou? um fogo-fátuo, uma miragem... Sou um reflexo...um canto de paisagem Ou apenas cenário! Um vaivém
Como a sorte: hoje aqui, depois além! Sei lá quem sou?Sei lá! Sou a roupagem De um doido que partiu numa romagem E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...
Sou um verme que um dia quis ser astro... Uma estátua truncada de alabastro... Uma chaga sangrenta do Senhor...
Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados, Num mundo de maldades e pecados, Sou mais um mau, sou mais um pecador...