segunda-feira, 23 de agosto de 2010

PELO PRAZER DE SER PSICÓLOGO(A)


Cá estamos nós nos disponibilizando pro outro. Cá estamos nós embarcando na viagem do outro. Uma viagem que não temos garantias certas de destino. Porque não é o destino que realmente importa, mas o caminho percorrido. Aonde se vai chegar é relativo, mas como se vai... os instrumentos de navegação utilizados... a companhia oferecida ... é o que nos importa.

Cá estamos nós, olhos, ouvidos, pele, coração... atentos. Olhos pra ver atentamente o caminho a seguir, os obstáculos a transpor, o mapa a ler.

Ouvidos para escutar sons inaudíveis, muitas vezes incompreensíveis, difusos, com a sutileza de um radar.
Pele para perceber diferentes texturas e formas, para captar sensações diversas e traduzí-las com certa precisão e carinho.

Coração para acolher de peito aberto com amorosidade as dores, angústias, medos, manifestações diversas dos incautos viajantes.

Cá estamos nós companheiros de viagem, co-pilotos de um veículo chamado: outro. Convidados a guiar viajantes que por inúmeras razões perderam seus mapas e ou desmagnetizaram suas bússolas.

Cá estamos nós pessoas guiando outras pessoas. Favorecendo a elas escuta, estímulo, motivações, compreensão, norte, acolhimento...

Cá estamos nós, munidos muitas vezes de uma parafernália de instrumentos, mas sobretudo de mente, corpo e coração abertos.

Cá estamos nós, seres comuns, mas loucos o suficiente para aceitar o outro na sua loucura, que é só sua forma diferente de viver a vida.

Cá estamos nós loucos em potencial, únicos capazes do mergulhar no inferno do outro pra trazê-lo de volta da forma que foi possível outro aguentar.

Cá estamos nós sujeitos incontestes deste universo humano.

Cá estamos nós Psicólogos! Nem sempre certos, nem sempre sabedores de tudo, mas verdadeiramente disponíveis e prontos pra encarar o desafio de ir até onde o outro estiver e com seus instrumentos construir juntos um novo caminho pra seguir.

Parabéns para nós Psicólogos, pois a nós é facultado o direito do resgate humano.

Parabéns para nós Psicólogos, pois a nós é dado a incumbência de trabalhar em prol da sanidade mental.

Parabéns para nós Psicólogos que corajosamente encaramos as agruras do outro junto com esse outro.

Parabéns para nós Psicólogos os loucos instrumentalizados o suficiente para reconhecer sua humanidade no outro humano que sofre e seguir em frente com ele.

Dia 27 de Agosto é o nosso Dia.







sábado, 21 de agosto de 2010

AOS NOVOS - VELHOS AMIGOS



Tenho a nítida sensação de que os amigos que fazemos, não são novos. São muito, muito antigos. São só reencontros. São só reuniões atualizadas de almas que já se conheceram há bastante tempo atrás. São só atualizações de histórias vividas e recontadas de outros ângulos. Parceiros constituídos das mais diferentes formas.

São olhares que se acham na multidão e reacendem o brilho há muito conhecido. São sorrisos que se ampliam transcendem na alegria de viver novamente juntos. São braços que se abrem para novamente se fechar em afetuosos abraços e mãos que se seguram pra poder reiniciar a caminhada.

São corações que flertam amores instituídos e pulsam de maneira ampliada inundando o peito de um amor completamente renovado. São pernas que outra vez juntAs percorrem novos caminhos não menos difíceis, mas com outras características.

O maravilhoso disso é que se apresentam como se nunca se conhecessem e logo, começam a ver as parecenças. Logo começam a ver o quanto compartilham das mesmas idéias, combinam gestos, atitudes e trocam figurinhas com uma intimidade tal que se assustam. Que legal não?!

São pessoas que se sentam e se falam com facilidade e tamanha fluidez. Entram na roda de conversa e se perdem nela animadamente como crianças que cresceram juntas e criaram muitas brincadeiras.

São pessoas que concordam mais facilmente e é como se nunca tivessem se separado um dia, pois não se sente a interrupção. Falam de como está a vida, do que tem feito, de que caminhos percorreram... De que amores viveram...

Quando se olham, se percebem... Falam de alma pra alma. Encantam-se com o que descobrem. Fisicamente podem ter idades diferentes, mas isso é apenas um detalhe... Curtem-se imensamente. Que delícia não?! É simplesmente fantástico. É algo inusitado, por vezes perturbador tal a força que acontece.

Somos todos migrantes de muitas outras vidas. Velhos-novos, novos-velhos amigos que resolvem nunca encerrar sua jornada por acreditar que esse vínculo é o elo de uma corrente maior e que o amor é a verdadeira solda que segura essa corrente e fortalece essa relação.

Esse encontro – reencontro é verdadeiro. Transcende a tudo e todos e o que parece novo é uma diferente forma de dizer: EU TE AMO! E que bom que você está aqui de novo pra gente continuar juntos. Mesmo que seja por pouquíssimo tempo. Amigos são livres, vão e vêm sem se cobrar. Vão e vêm sem exigir. Vão e vêm sem nada pedir. Reconhecem-se e se permitem viver esse encontro. Liberam-se para seguir em frente até que a roda da vida gire novamente e seus caminhos se cruzem outra vez para nova história escrever.





sábado, 7 de agosto de 2010

MERCEDES SOSA - LA NEGRA


Voltemos a falar de música. Desta vez falamos de música latina, precisamente de Mercedes Sosa – La Negra. Assim chamada por sua ascendência ameríndia e também conhecida por ser a voz dos “sem voz” e defender arduamente o Pan-americanismo, a unificação das Américas. Nos deixou em 4 de outubro órfãos de sua maravilhosa voz. Mercedes cantava com o coração, com a alma as histórias dos povos das Américas.

Sua voz enchia o espaço com força, intensidade e muita poesia. Trazia o coração na garganta. Não havia quem não embarcasse na emoção que desencadeava de suas melodias.

Em 9 de julho, faria 75 anos, nos deixou um maravilhoso legado musical, compartilhou o palco com muitos artistas tais como, Chico Buarque, Daniela Mercury, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gal Costa, Fagner, Sting, Andrea Bocelli, Luciano Pavarotti, Nana Mouskouri, Joan Baez, Silvio Rodríguez e Pablo Milanés, dentre outros.

Popularizou canções como Gracias a La vida, Volver a los 17, de Vileta Parra e que canções! Também, memoravelmente interpretou seu compatriota Atahualpa Yupanqui e mais tarde gravou um álbum em sua homenagem. Ganhou peso em sua maravilhosa interpretação. Ninguém o interpretou tão bem quando La Negra. Sim interprete sem igual, trazia na sua voz vida às palavras e melodias que tocava fundo na alma.

Mulher de alma grandiosa, foi uma ativista política forte, foi presa no palco durante um show e banida de seu país. Mas não se deu por vencida, continuou sua caminhada política em sua música e seus posicionamentos o que lhe rendeu prêmios, e titulo de embaixadora da boa Vontade UNESCO para a América Latina. Deixou-nos um legado maravilhoso, entre musica, filmes, entrevistas, documentários, composições, trilhas sonoras.

Que dizer desta mulher amante das coisas simples como canta uma de suas canções em brilhante interpretação Canción de las simples cosas já citada em outro post. Mulher de fibra, de posicionamentos firmes, não se intimidava fácil, trazia belas poesias nas suas falas apresentava artistas diversos que tinha como ela o compromisso com as histórias vividas pelas pessoas, seus fazeres, suas emoções, seus amores, suas dores e também suas alegrias.

Gracias Mercedes! Su vida nos deixou la marca de el amor. El amor por la vida, por los pueblos, por sus historias llenas de emociones y sentimietos.




domingo, 1 de agosto de 2010

NINGUÉM É INSUBSTITUÍVEL


Recebi um e-mail recentemente falando de uma palestra realizada numa empresa onde o Diretor dizia para seus empregados em avaliação dos seus gráficos: Ninguém é insubstituível!

E esta fala soava como uma ameaça aos olhares assustados dos funcionários. A frase ficou ecoando nos ouvidos daquelas pessoas, até que um deles virou-se pro diretor perguntou: E Beethoven? Como? Perguntou o Diretor confuso... O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substitui Beethoven? Ele não teve resposta.

O funcionário sai discorrendo sobre o que ouvira e fora citando outros tantos talentos, dizendo que as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos e que no final continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que quando um sai, é só encontrar outro pra por no lugar. E continua perguntando, quem substitui Beethoven, Tom Jobim, Ayrton Senna, Gandhi, Frank Sinatra, Garrincha, santos Dumont, Monteiro Lobato, Elvis Presley, Os Beatles, Jorge Amado, Pelé, Paul Newman, Tiger Woods, Albert Einstein, Picasso, Zico...? E por aí vai... Diz que esses talentos marcaram a história, fazendo o que gostam o que seus talentos permitiam fazer. E, portanto são insubstituíveis. Cada um tinha além de seus talentos, tinham suas manias, suas dificuldades. O diretor calou-se e ficou a pensar no que havia ouvido.

Minha reflexão está em dizer que estamos sendo tratados assim todo o tempo pelas empresas, pelos diversos lugares institucionalizados. Somos tratados como mercadorias e não como pessoas que têm particularidades, especificidades e que por mais que queiram, não seremos substituíveis nunca. Jamais faremos nada igual ao outro. Somos diferentes, específicos. Cada um tem talentos que o caracteriza e não pode ser negado isso nem desqualificado, ou comparado.

Têm-se uma mania atual de automatizar tudo, tratar tudo e todos como objetos, máquinas ou peças defeituosas, quando não atendem às necessidades de outrem ou as organizações. Novamente voltamos a questionar são os homens que fazem as máquinas e não têm que se comportar como elas. Precisamos sentir as pessoas como pessoas. Valorizar os pontos fortes desses humanos, pois se mudarmos o curso natural das coisas, teremos catástrofes infindáveis à frente.

E então, o que vai ser? Somos talentos únicos. Posso fazer pouco, mas o que faço é único e é isso o que importa. Vamos ser amados pelo que somos ou odiados por outras, pelo mesmo motivo. E assim segue a vida. O bom é que se deixarmos rastro por essa vida, que seja um rastro de um positivo talento que sempre será insubstituível.
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Você é Importante

Ei! Sorria... Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo.
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.
Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa.
Ei! Ame acima de tudo, ame a tudo e a todos.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome!
Esqueça a bomba, mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distancia, e sim, uma aproximação.
Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver.
Entenda! Entenda as pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.
Você já tornou alguém feliz hoje?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você.
Sonhe! Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga.
Acredite! Espere! Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.
Ei! Ouça... Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante.
Suba... faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo,
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.
Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente, eu também vou tentar.
Ei! Você... não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que... te adoro, simplesmente porque você existe.

Charles Chaplin

quarta-feira, 21 de julho de 2010

PSICÓLOGOS EM AÇÃO HUMANITÁRIA – CRP15/ALAGOAS


E lá se foram as casas, as vidas e as referências de muitas pessoas. O que ficou? O que restou? O que sobrou? Ficou a dor da perda, o vazio profundo, o rasgo na dignidade. Restou o desespero, o sentimento de menos valia, de solidão, a angústia no peito. Sobraram lembranças boas e ruins, a solidariedade dos amigos, dos vizinhos, dos desconhecidos; sobraram esperanças, confiança, fé.

Passada a tempestade, e contabilizada as perdas, se volta pra reconstrução. E esta será de duas formas especificamente: de dentro pra fora pela elaboração da auto-estima, do luto vivido, das perdas sofridas e transformadas em potencial superação; e de fora pra dentro pela reconstrução das casas perdidas, dos referenciais físicos, dos marcos residenciais e comerciais.

Este segundo, depende muito do poder público. Da sensibilidade dos governantes, o que se espera existir e não se aproveitar da desgraça alheia pra lucrar com isso. Depende muito da boa vontade dos dirigentes e sabemos que alguns agirão com hombridade, outros manterão atitude vil e desdenhosa da dor alheia e se valerão disso para benefício próprio apenas. É pena não?

Do primeiro e do qual desejo falar mais amplamente, depende da ação de seres com sentidos abertos pra uma escuta qualificada. Dependerão estas pessoas de profissionais que não se intimidem diante da dor psíquica proveniente da catástrofe e consiga enxergar o ser humano despedaçado ali existente. Estamos falando de saúde mental. E quem melhor pra fazer isso senão o Psicólogo? Exatamente! O Psicólogo!

E o melhor disso, os profissionais com essas características estão em marcha na direção deste alvo. Os profissionais envolvidos com essas gentes deixam suas zonas de conforto, suas salas equipadas, seus ambientes bem organizados, seu espaço conhecido e previamente estruturado, pra ir ao encontro desses humanos despedaçados.

Unindo técnica, teoria, vontade, compaixão, senso de responsabilidade, sentidos aguçados, formam parcerias entre entidades pra desenvolver talvez a maior ajuda humanitária que uma categoria profissional já se propôs.

O Estado de Alagoas vê neste momento uma mobilização maciça dos profissionais de psicologia em ação voluntária às vítimas das enchentes. Mobilizados pelo CRP 15 (psicólogos), em parceria com Médicos Sem Fronteiras (orientação, capacitação), Secretaria de Saúde (logística), vão a campo, fazer o que sabem bem, dar suporte emocional às vítimas.

Dizia-se recentemente que as vítimas necessitavam de atendimento psicológico em razão do trauma vivido. Que havia um aumento de estresse, pânico, transtorno mental. Ora bem sabemos dessa situação. Mas não podíamos nos aventurar a nada sem uma devida estruturação. Sem uma preparação mínima que nos permitisse ir lá e fazer direito. Ao tempo em que se cobrava ação destes profissionais não sabendo então, que já havia mobilização organizada, estruturada para este fazer.

Pois então cá estamos nós, nos juntado aos que já se encontram no campo, formando um grupo coeso e pronto pra integrar às equipes multidisciplinares e fechar o circulo de ação deste processo.

Senhores, Os psicólogos de Alagoas não estão alheios, nem de braços cruzados. Ao contrário, estão prontos e indo ao campo, pois o momento é agora, quando a água baixou, o juízo esfriou, a fome foi suprida e a mente pode se abrir pra receber atenção, orientação e se é possível processar a dor.




domingo, 11 de julho de 2010

UMA QUESTÃO DE ATITUDE





Vivemos todo o tempo desenvolvendo reações, posições, movimentos acerca das coisas que pesam e demonstram a todos como somos o que pensamos acerca das coisas que nos cercam.

Nossa maneira de ser é nosso cartão de visita. É ela que nos mostra aos outros e define se somos aceitos ou rechaçados. Se temos um lugar ou se não temos nada. Se conquistamos ou se fazemos de conta. Nossas atitudes são nossos termômetros. Alguns percebem quando estouraram a linha limite, mas outros precisam ser lembrados disso.

Atitudes são procedimentos, comportamentos construídos ao longo de nossa existência. Um conjunto de posicionamentos não muito fáceis de fazer. Às vezes nos perdemos pelo caminho, quando nos deixamos levar pela impulsividade, pela beleza exagerada do efêmero, do fulgáz.

Atitudes enfatizam nossa individualidade, definindo nosso modo de estar com os outros e de encarar as coisas da vida. Elas vêm cobertas de responsabilidade, e têm o poder de modificar completamente a vida das pessoas. Elas ditam regras, caracterizam sujeitos e possibilitam relacionamentos.

Por isso precisamos ter cuidado com elas. Podemos afetar de forma danosa a vida de alguém se não formos perspicaz ou atencioso. Como diz um grande amigo, precisamos evitar deixar rastro na vida. Precisamos passar construindo e jamais destruindo. E se o fizermos, devemos voltar e consertar rapidamente.

Algumas atitudes merecem destaque nesta reflexão: Paciência, requer atenção, observação, cama, cuidado, simplicidade de propósito; Curiosidade, é o ato de investigar, pesquisar buscar, aprender sempre; Planejamento, é a arte de programar as coisas, focalizar as energias em direção a um objetivo; Sabedoria, é uma habilidade é o saber, o conhecimento pra agir pautado na observação e no entendimento profundo das coisas; Transparência, é a arte da clareza, do exercício da verdade sempre; Coragem, é o ato de ousadia, resolução, firmeza de propósito, bravura, firmeza; Astúcia, é a arte de ser sagaz, da finura, da manha; Espírito de Equipe, é a atitude bem difícil de ter, exige da pessoa sentido de coletividade, de cooperação, de pensar no outro e de estar atento ao bem estar do outro além do seu; Diversão, atitude de relaxar de manter o lúdico vivo.

Nada fácil não? Estas atitudes sugerem a nós reflexão de como estamos passando pela vida. Requer vigilância constante. Propósito de manter os sentidos bem ligados ao mesmo tempo de se manter relaxado. Tem mais coisa a ser pontuada. Mas pra começar está de bom tamanho não? Mais detalhes: “A sabedoria dos Lobos” de Twyman L. Towery.


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Atitude

Minha esperança perdeu seu nome...
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.

O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.

Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.

Cecília Meireles, in 'Viagem'

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Atitude

Estou atenta a você que me encara, me olha de ângulos diferentes,

Estou atenta a você que me mede de cima a baixo

Estou atenta a você que me redescobre a cada movimento

Estou atenta a você que não perde um lance de minhas ações

Estou atenta a você que me copia instantâneamente

Estou atenta a você que faz de minha postura, verdades puras

Estou atenta a você que não perdoa se eu falhar com você

Estou atenta a simplesmente me toma como exemplo e me segue plenamente.

Atitude, ato, ação, movimento...

Atitude proposta de ser então, suspeita...


Sílvia Teixeira de Lima


sexta-feira, 9 de julho de 2010

PRECISAMOS DE MAIS TOLERÂNCIA


Vivemos tempos difíceis. Tempos em que se tornam mais complicados sermos gentis, calmos, delicados, amigos, parceiros... Irritamos-nos com facilidade e vivemos à flor da pele. Parece que todos os dias são “Dias e Fúria”. Cultivamos estresses de todas as formas.

Irritamos-nos pelo calor excessivo; pelo trânsito louco; pela falta de dinheiro; pelo descaso das autoridades; pela expansão das drogas; pelo salário parco; por não conseguir pagar as dívidas; por temos religião diferente; por não sermos perfeitos; por não sermos amados...

Estamos em momento delicado. Tudo e todos andam muito melindrados, nada pode ser dito que as pessoas se ouriçam e já partem pra briga. Andamos sem paciência, não esperamos pelas coisas, tudo tem que ser muito rápido, pra ontem. Temos muita pressa pra realizar as nossas tarefas, achamos que todos devem ter o mesmo ritmo e o mesmo tempo de ação. Chegamos a ser cruéis.

Muitas vezes olhamos pro outro já perguntando de forma ríspida o que quer o que está olhando... Raras às vezes dizemos, bom dia, como vai? Precisa de alguma coisa? Posso fazer algo por você? Andamos muito mecânicos e imediatistas. Não esperamos o tempo das coisas, aceitamos menos as diferenças, modos de pensar e agir.

Desenvolvemos ódio pelo que é diferente de nós, ou pelo que não conhecemos. Abominamos e incitamos outros a desenvolver atitudes inóspitas discrepantes criando um ambiente de difícil convivência. Falamos de limites. Que podem ser fixos ou móveis de acordo com a situação, de acordo com ordem social. Falamos de respeito às diferenças, à individualidade. A palavra tolerância provém do latim tolerantia, que por sua vez procede de tolero, e significa suportar um peso ou a constância em suportar algo.

A paciência que faz com que desenvolvamos amor, bom humor, pra lidar com as coisas ruins ou desagradáveis. É uma virtude que temos grande dificuldade em praticar. Ela esta atrelada à compreensão, que é o ato de entender a natureza das coisas. Requer exercício diário, perseverança, diligência, responsabilidade, consciência, respeito... Isto é, um conjunto de fatores que devem ser construídos e exercitados diariamente. E nós geralmente não temos este trabalho.

Precisamos cuidar em repensar nossa atuação como o outro, com nossa vida, com nossas ações... Precisamos ser mais pacientes, menos estressados, precisamos não levar mais as coisas ao pé da letra, avaliar, selecionar, digerir e ponderar mais pra sermos mais felizes.